Jaguar XJ8 3.2 V8 Executive- In Autosport 2005- BY Pedro Silva

Nada melhor do que voltar de férias para o volante de um V8, principalmente se este foi alvo da atenção merecida e “libertou” a sua verdadeira natureza.

Sim, o dono deste Jaguar só queria ouvir o V8!!! E quanto a mim, esta é uma das melhores justificações para proceder a um trabalho de tuning. Afinal, quem compra um motor especial tem todo o direito de o desfrutar.

Por outro lado, mesmo se o Jaguar XJ é um dos mais leves topos de gama do mercado, a verdade é que esta versão do V8 pequeno (3.2 litros de cilindrada) anterior a 1999 não consegue conferir ao Jaguar o equilíbrio entre agilidade e força que se espera de um grande felino.

Se na altura isto já era verdade, actualmente, os 219 CV às 5100 rpm resultam demasiado curtos, deixando o big cat à mercê quer de alguns concorrentes quer do irmão mais novo motorizado por uma unidade menos nobre (pasme-se, apenas seis cilindros, isso é um motor?...) e, ignominia das ignominias, movida por aquele combustível que deixa as mãos gordurosas. Argh!!! Que porcaria

(...) Mal rodo a chave na ignição, o V8 acorda com um ronco que impõem respeito - Vrouummm.

Temos motor! Feita esta primeira demonstração, o ralenti assenta no habitual registo discreto e bem comportado de um Jaguar. Até porque, é de mau gosto exibir-se quando disso não existe necessidade. Expectativa cumprida Começando a utilizar a caixa automática em modo manual e a levar as mudanças para lá das 6500 rpm, não só a sonoridade é encantadoramente envolvente como a alegre subida de regime é acompanhada por uma aceleração de qualidade – o ganho de momento é linear e, sem ser esmagador, longe disso, inabalável, num agradável crescendo que só é interrompido, brevemente, pela passagem à relação seguinte.

Para analisar melhor o comportamento do motor, deixo-o mesmo chegar ao corte (às 6700 rpm) um par de vezes, em 2ª e 3ª velocidades. Sim, confirma-se. Agora o V8 faz rotação de forma muito solta e continua a puxar com decisão até às derradeiras rotações – não estranharia nada que a potência máxima estivesse nestas duas centenas finais da faixa de utilização.

Na prática, quando se esmaga o acelerador na casa das 5000 rpm (regime ao qual o motor nas especificações originais começava a acusar falta de ar) somos brindados com uma resposta bastante enérgica e, principalmente, por uma banda de utilização que se estende por quase mais 1700 rotações.

Aliás, o cronómetro confirma em pleno as sensações tidas ao volante. Os 0 a 100 km/h ficam na casa dos 8,5 s e o quilómetro de arranque tarda pouco mais de 30 s com uma velocidade final superior a 181 km/h.

Infelizmente, não houve oportunidade de aferir os valores antes da preparação, mas a qualidade dos mesmos permite a este XJ8 comparar-se, sem complexos, com as versões mais recentes e potentes – são muito idênticos aos declarados para o V8 3.2 de 243 CV às 6350 rpm montado a partir de 1999 –, as quais gozam ainda da vantagem duma caixa automática mais rápida de seis relações – contra as cinco deste modelo de 1998. Melhor ainda, estas prestações colocam o novo XJ6 D no seu devido lugar, que é como quem diz, atrás do V8!

É claro que para manter esse status o V8 “leva uma boa corrida pelo seu dinheiro” e, mesmo assim, a margem da vitória não é grande, apenas suficiente. A nova energia do motor também torna a condução mais divertida a outros níveis, pois, com a ampliação significativa do leque de regimes utilizáveis e uma resposta ao acelerador mais contundente, o V8 ganha outro protagonismo quando chega a altura de intervir activamente no perfil da trajectória desejada.

Por outras palavras, desligando os polícias electrónicos, é possível aproveitar plenamente o belo equilíbrio dinâmico do Jaguar, o qual conta com eficazes suspensões de triângulos sobrepostos nos dois eixos.

( ensaio completo em www.overdrive.pt)

                         <<VOLTAR>>